Movimento Negro UnificadoDesde 1978 na luta contra o racismo

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25 de Janeiro de 2018

Democracia x julgamento político de Lula

O MNU  repudia a decisão do TRF-4 que julgou politicamente e condenou de maneira arbitrária, arrogante e golpista o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a intenção deliberada de impedir a sua candidatura.

 

O Movimento Negro Unificado (MNU), organização nacional fundada em 1978, durante a ditadura militar, repudia a decisão do TRF-4 que julgou politicamente e condenou de maneira arbitrária, arrogante e golpista o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a intenção deliberada de impedir a sua candidatura.

Mais uma vez a elite de homens brancos manipula os poderes e fere a democracia. Viola direitos e mantém o racismo institucional – mecanismo nefasto de exclusão de povo negro das instituições judiciárias, legislativas e governamentais que compõem o Estado brasileiro.

A hegemonia da elite branca e machista sustentada em princípios das oligarquias segregacionistas seculares novamente demonstrou frieza e pragmatismo ao montar uma farsa para condenar sem provas o maior símbolo da retomada da democracia brasileira após o golpe de 1964.

O MNU abriu a sua agenda política em 2018, ano que perfaz 40 anos de resistência negra no Brasil, participando das mobilizações em todo país em defesa da democracia e do Direito de Lula ser Candidato.

Agora teremos o desafio de continuar a luta contra o racismo, garantir as candidaturas do campo democrático e popular. Lutar contra a criminalização dos movimentos sociais e pelo verdadeiro Estado Democrático de Direito combatendo a ação difamatória e politizada do poder judiciário composto por reacionários de direita; essa postura é antagônica e contraditória a várias manifestações de magistrados do direito nacional e internacional.

Esse mesmo judiciário se desfaz de suas atribuições legais em defender a cidadania quando permite que em cada 27 minutos um jovem negro seja assassinado – uma jovem negra entre 15 e 29 anos tem 2,19 mais chances de ser morta– e que, majoritariamente a nossa população esteja encarcerada em presídios sucateados.

Temos que continuar denunciando as supressões de direitos sociais, civis e humanos do Governo de Michel Temer que representa o reformismo do Estado mínimo e de Exceção.

Entre 13 milhões de desempregados, 8,3 milhões são negros.

No âmbito internacional devemos ordenar um debate sobre racismo e geopolítica, denunciando as atrocidades raciais que assolam o Brasil, bem como a desterritorialização dos povos africanos, acentuação da direita nazifascista e genocídios de guerras promovidas pelo imperialismo em conflitos de interesses ditatoriais autoritários.

A nossa trajetória de lutas sempre foi referência primordial de persistência em denunciar a contra posição negra ao poder institucional brasileiro que preserva os valores da supremacia comandada por um conluio corrupto da elite etnocêntrica. Temos que enfrentar diretamente os monopólios de comunicação e indústrias que estão a serviço dos financistas internacionais de capital especulativo e suas multinacionais.

Nossa demanda é construir uma agenda nacional de coalizões, e mobilizações de desobediência civil organizada ao engodo de legalidade das instituições autoritárias e racistas brasileiras.

Pela democracia, contra o racismo; o MNU continuará a luta por um país verdadeiramente justo.

Somos herdeiros de Zumbi e Dandara.

Resistiremos a mais um golpe contra a democracia.

25 de janeiro de 2018.

Movimento Negro Unificado

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